quinta-feira, 6 de abril de 2017

Saudades guardadas

Ainda sinto o teu cheiro na minha almofada, o som do teu toque, o sabor da tua boca que ainda me é forte. Ainda sinto quase todas as coisas que me deixaste e todas as outras que nunca me falaste deitam-me agora neste chão, vivo comigo mas já sem razão, sem uma união de factos. Ainda sinto metade do que eras e o que foste guardo aqui nesta cama por baixo da tua almofada quase gasta, quase sem cheiro para eu te conseguir cheirar. Agora que já não estás deixo a saudade para trás num rosto esquecido neste meu coração partido.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Estado declarado

A verdade é que me sinto cansado que me sinto derrubado e esquecido por todo lado. A verdade é que é tudo mentira, fria que arrepia todo o meu passado. A verdade é indiscreta e potente para me deixar descrente de tudo aquilo que eu faço. Talvez seja verdade ou mentira quando mando tudo para o espaço nem me preocupa a figura de palhaço que faço ou desfaço. A verdade teima apenas em ser a igualdade que me disfarça nas veias e me assume com teias toda esta saudade demorada. A verdade é como a estrada muito longa e sempre apertada.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Já sou tão tarde

Já sou tão tarde e já sem vontade, sou metade da metade que fica , já sou tão tarde, tão fora de horas que só apetece fechar a porta porque acho que já ninguém se importa. Já sou tão tarde nessa tua vida, neste meu jeito meio suicida de dizer que te amo. Já fui tão tarde que já nem te consegui agarrar preocupo-me em apenas te suportar, sei que já não sei amar mas um dia ainda hei-de gostar.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A verdade

A verdade é metade do que existe, a verdade é só saudade por que alguém desiste. A verdade é a mentira que tu trazes e carregas como a verdade absoluta, a verdade é tão mentira para quem acredita na luta. A verdade é só vontade para quem pensa diferente, é sempre metade mais que metade dessa gente. A verdade alimenta-se da ilusão que vai no coração de cada um, a verdade é tão banal que não está em nenhum.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Carrega-me

Carrega o meu corpo imundo e tão cheio de dor, carrega os meus pecados seja com quem for. Carrega-me porque estou tão pesado, carrega-me a mim e a este meu passado. Carrega-me com toda essa tua força, sinto-me sozinho e tão perto da forca, carrega-me com esse teu jeito de menina, carrega-me com apreço como se fosse a tua sina. Carrega-me nem que seja pela ultima vez, carrega-me só mais um pouco que foi o que toda a gente fez.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Por entre o frio

Por entre o frio trago-te em mim, guardo-te em mim com medo que fujas. Por entre o frio abraço-me em ti, talvez por pensar que gostas de mim assim, frio como neve, gelo mesmo. Por entre a noite trago-te em mim, por entre a lua caminhamos assim, vazios, perdidos. Por entre o frio somos corpos nus, almas derrotadas em momentos únicos. Por entre o frio caminhamos sem parar na esperança de que um dia tudo isto vá mudar.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Trago em mim (com Martim Vicente)

Trago em mim o peso do mundo e o peso das historias que nunca contei. Trago em mim a nebulosidade de toda a mente perturbada mal fadada e desengonçada. Trago em mim todos os pecados do maior pecador em vida porque afinal parece que existe mesmo um caminho sem saída. Trago em mim todos os sonhos inacabados, todos os tempos partilhados, todas as vergonhas de beijos mal dados. Trago em mim todos os pesadelos destroçados, todos os desejos recalcados e todo o amor que vos falhei. Trago em mim mil amores que deixei, mil corpos que imaginei num futuro sem fim. Trago em mim todas as imagens que nunca pensei, todos os caminhos que nunca te direi e todas as cartas que em mim encerrei. Trago em mim o desgosto de não conseguir viver mais de não ser diferente do resto dos demais, trago em mim toda a acutilância e raiva escondida, todo o sangue de uma ferida quase esquecida. Trago em mim tantas respostas para vos dar mas sem força para conseguir falar. Trago em mim mil acordes e mil sabores de todo o mar, trago em mim a esperança de um dia saber amar, De um dia ver que o mundo pode ser simples, de um dia ser teu, mas tu minha também. De um dia os meus pecados poderem ser perdoados, não esquecidos, mas realmente perdoados como aquele perdão que “os de Jesus” falam. De um dia encantar alguém só com os meus olhos, ou com o meu sorriso, com um desses jeitos que nos deixam a alma cheia. Serei eu capaz de desejar alguma coisa que não seja minimamente egoísta? Será alguém capaz disso? E se esse alguém for capaz, será feliz com isso? Ou dirá apenas que a felicidade não interessa? A mim interessa-me muito. Se calhar trago em mim mesmo uma carga enorme de egoísmo, mas a seriedade importa. E eu quero ser sério para com o amor. Juro que quero!